Prezado Leitor, É com imensa satisfação que lançamos a primeira edição da revista REDIGE do ano de 2020. A REDIGE tem por objetivo fomentar o debate nas áreas de moda, engenharia, inovação e educação, trazendo publicações originais que oportunizarão jovens e também experientes pesquisadores a apresentar seus trabalhos e seus olhares para a ciência. Estamos vivendo um momento de grande vulnerabilidade econômica e social, muitas incertezas permeiam as atuais decisões na esfera política, o que afeta diretamente a produção industrial. Por outro lado, a necessidade de nos reinventarmos parece condição essencial a continuidade da vida, levando professores ao uso de toda tecnologia ao seu alcance para manter o processo de ensino e aprendizagem, bem como as pequenas empresas que procuram outras caminhos fazendo também uso da tecnologia, através da internet. Diante desses cenários apresentados, que tem como pano de fundo a pandemia do novo coronavírus, se faz necessária a ampliação dos debates científicos, que possam contribuir para a sociedade em todas as esferas. Nesse sentido esta edição da revista REDIGE traz um artigo que apresenta uma metodologia para auxiliar na caracterização na desemulsificação do petróleo. Outra publicação utiliza a pesquisa operacional associada aos serviços públicos onde foi realizada uma Análise multicritério utilizando os métodos Borda e AHP no provimento de viaturas blindadas para a PMERJ. Sendo a inovação e educação representada em dois artigos, 1 artigo mostra a construção e aplicação de uma planta didática e outro trabalho sobre a didática no ensino de polímeros. Para finalizar a história do químico Humprey e sua lanterna é contada através do olhar de uma pesquisadora contemporânea da ciência. Professora Marta Picardo Boa leitura! Mais do que nunca, é tempo de fomentar os debates sobre a moda-vestuário - Apresentação Solange R. Mezabarba É com muito prazer que apresento à comunidade científica e profissional, a revista eletrônica REDIGE, editada pelo Senai Cetiqt. A revista conta com diferentes seções, a saber: educação, química, engenharia e design de moda. Estando a frente da seção de design de moda, sigo fazendo as honras deste primeiro número que nasce em um momento muito especial da História. O ano de 2020 tem sido bastante atípico, para dizer o mínimo. As páginas de economia dos principais jornais do mundo anunciam que o FMI prevê uma retração de 3% no PIB mundial no ano de 2020.[1] Já para América Latina, segundo o Banco Mundial em seu site,[2] espera-se um impacto negativo de 4,6% na economia da região, graças a tensões sociais, colapsos do preço do petróleo e, finalmente, mas não menos importante, à pandemia do coronavírus. Num cenário como este, a moda, como setor econômico, é uma das áreas mais afetadas, juntamente com o turismo e a economia criativa. Segundo o Sebrae,[3] ainda na primeira semana de fechamento do comércio como medida de mitigação do avanço do covid-19, houve queda de 74% no faturamento das atividades do varejo brasileiro voltado para este setor. Não é por acaso que o futuro da moda vem sendo debatido recorrentemente entre especialistas, estudiosos das tendências, empresários e analistas dos diversos campos de conhecimento. É neste contexto que a revista Redige se estabelece como um novo espaço para o debate sobre este fenômeno que, para recordar um conceito do antropólogo francês, e Marcel Mauss, é um fato social total, portanto, afeta diversos âmbitos da nossa vida social. Ou seja, a moda, como objeto de estudo, pode ser investigada por diversos ângulos, e esta é a nossa proposta. A seção de Design de Moda desta edição inicial nos brinda com dois artigos que irão nos recordar as diversas facetas da moda-vestuário na nossa vida social. O primeiro deles é o texto intitulado Produção e comercialização no modelo See Now, Buy Now e a lógica do Fast fashion: considerações sobre a indústria da moda dos pesquisadores João Dalla Jr. e Joana Contino. O artigo sinaliza para um sistema que até aqui vem buscando diminuir a distância entre a criação e o consumo. Os autores iniciam o texto com uma provocação aos seus leitores: faria ainda sentido o modelo tradicional das semanas de moda e seus desfiles? Em 2016, segundo os autores, foi instituído um novo sistema envolvendo a apresentação e a comercialização dos modelos apresentados nos desfiles, que ficou conhecido como See now, Buy now. A partir de então, consumidores poderiam adquirir as peças que desejassem logo após o desfile. Articulando o novo conceito com o sistema Fastfashion, os autores definem o SNBN como uma resposta à rápida dinâmica característica desse modelo de negócios, bem exemplificado pela marca Zara. O texto nos deixa entrever a relação da inovação, táticas de mercado e a variável tempo. Por não haver uma proteção legal aos direitos autorais dos criadores, a rapidez com que as novidades circulam pode ser uma aliada. Como os próprios autores salientam, se o sistema Fastfashion, já acelera o ritmo da cadeia produtiva, o SNBN potencializa ainda mais essa dinâmica. Alguns aspectos importantes entram em jogo neste processo, e são esses os aspectos analisados pelos autores na sequência: a previsão da produção, a formação de estoque e o tempo de criação. Dalla Jr. e Contino finalizam a reflexão propondo incluir neste debate uma outra variável que seria o potencial transformativo da indústria 4.0 nessas cadeias produtivas. O segundo artigo é assinado pelas pesquisadoras Gisela Monteiro, Thais Vieira e Aline Miguel. As autoras discorrem sobre a chita, tratando de destacar o modo como este tecido caracterizado mais por suas estampas do que sua textura, se estabelece no Brasil, notadamente nos segmentos populares. Com o passar do tempo, porém, a chita conquista, através da alta costura, seu espaço entre integrantes das camadas mais abastadas da população. As autoras apresentam aos leitores o tecido através de suas características. Em seguida, buscam na literatura brasileira do século XIX as evidências para mostrar as camadas sociais por onde o tecido circulava no Brasil. Por fim, incorporam à pesquisa entrevistas com designers especializadas no tema, bem como levantam as ocasiões em que a chita protagoniza desfiles destinados à elite consumidora de moda. Dois temas diferentes e igualmente instigantes para pensarmos a moda como corolário de um pensamento que emerge nas sociedades quentes, para usar um conceito de Claude Lévi-Strauss, que se caracteriza pela inovação e o gosto pelas novidades. A moda, no entanto, operando na chave da inovação, é capaz de fazer ressurgir a tradição, inspirar-se no passado, e fazer circular as roupas no tempo, no espaço e nos segmentos sociais. Boa leitura!
[1] Ver jornais: https://economia.uol.com.br/noticias/efe/2020/04/14/fmi-preve-retracao-de-3-da-economia-mundial-em-2020-por-causa-da-covid-19.htm, https://brasil.elpais.com/economia/2020-04-14/fmi-preve-contracao-de-3-na-economia-mundial-em-2020-a-maior-desde-1930.html , https://gauchazh.clicrbs.com.br/economia/noticia/2020/04/fmi-projeta-queda-de-3-na-economia-global-e-de-53-no-brasil-em-2020-ck8zxaa9v02u901qwyedtlgz7.html [2] Dados disponíveis em: https://www.worldbank.org/pt/news/video/2020/04/13/la-economia-de-america-latina-y-el-caribe-en-tiempos-de-covid-19-coronavirus [3] Dados disponíveis em: https://sebraeseunegocio.com.br/artigo/os-impactos-da-pandemia-no-varejo-de-moda/
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